O que a sua imagem comunica quando você entra em um ambiente?

Quem nunca?

Imagine entrar em uma sala cheia de desconhecidos. Antes de cumprimentar alguém, você observa as pessoas, o ambiente, as expressões e as roupas. Quase sem perceber, começa a formar impressões sobre quem está ali. Lembra do: “nossa, achei que você era metida, tem cara de metida” kkkkkkkk

Agora inverta a situação: enquanto você observa, também está sendo observado.

Antes mesmo de dizermos a primeira palavra, outras pessoas já podem ter começado a construir uma ideia sobre nós.

E isso não acontece apenas no campo das opiniões pessoais. A psicologia social estuda esse fenômeno há décadas.

O cérebro não espera uma apresentação.

Em 2006, os pesquisadores Janine Willis e Alexander Todorov, da Universidade de Princeton, demonstraram que apenas 100 milissegundos — um décimo de segundo — de exposição a um rosto podem ser suficientes para que uma pessoa FORME JULGAMENTOS iniciais sobre características como competência, simpatia e confiabilidade.

Isso não quer dizer que esses julgamentos estejam corretos. Quer dizer apenas que o cérebro consegue produzir interpretações muito rapidamente, mesmo quando tem pouquíssimas informações disponíveis.

É justamente aí que a imagem ganha relevância.

A aparência, as expressões faciais, a postura e o vestuário oferecem sinais que interpretamos a partir das nossas experiências, referências culturais e expectativas sociais.

Uma pesquisa de Mary Lynn Damhorst, publicada em 1990, reuniu 109 estudos sobre vestuário e percepção social. A revisão identificou padrões nas associações que fazemos entre as roupas e as características atribuídas às pessoas.

Em outras palavras, a roupa não é apenas algo que cobre o corpo. Ela também participa da comunicação.

Mas a imagem vale mais do que as palavras? 🤔

Talvez você já tenha ouvido que 93% da comunicação não depende daquilo que falamos.

Esse número ficou conhecido a partir dos estudos do psicólogo Albert Mehrabian, na década de 1960. No entanto, os percentuais foram obtidos em situações específicas, relacionadas à interpretação de sentimentos e atitudes quando as palavras e os sinais não verbais transmitiam mensagens contraditórias.

Portanto, isso não significa que a aparência represente 93% da nossa comunicação ou determine quase toda a primeira impressão.

O que podemos afirmar é que a comunicação NÃO COMEÇA necessariamente quando começamos a hablar, rs.

A maneira como nos apresentamos pode influenciar as expectativas de quem nos observa.

*A imagem que temos e a imagem que transmitimos.*

Existe uma diferença entre quem somos, como nos enxergamos e como somos percebidos. Nem sempre essas três dimensões estão alinhadas.

Uma pessoa pode ser extremamente competente e, ainda assim, sentir que sua imagem não acompanha a posição profissional que ocupa. 

Outra pode mudar de carreira, de rotina ou de prioridades e perceber que o guarda-roupa continua representando uma fase que já passou.

Isso não significa que exista uma roupa correta para cada profissão ou que precisemos abandonar a nossa personalidade para transmitir credibilidade.

A imagem pode ser pensada de forma mais consciente, levando em conta a identidade, o estilo de vida, os objetivos e os ambientes que frequentamos.

É nesse ponto que a consultoria de imagem se torna interessante.

Muito além de identificar cores, proporções ou combinações de roupas, ela pode ajudar a compreender a relação entre a maneira como nos vemos, aquilo que desejamos expressar e as escolhas visuais que fazemos diariamente.

Não se trata de controlar o julgamento dos outros — algo impossível —, mas de participar de maneira mais intencional da própria comunicação.

Afinal, o que você quer comunicar?

Talvez a pergunta não seja se as pessoas vão formar uma impressão quando você entrar em uma sala. Provavelmente, alguma impressão será formada.

O ponto é que nenhuma primeira impressão consegue contar a história inteira de alguém.

Nossa competência, nossos valores e nossa personalidade não cabem em uma roupa. Mas nossas escolhas podem ajudar a expressar partes importantes de quem somos.

E, se a imagem participa dessa conversa, por que não aprender a utilizá-la com mais consciência?

Antes de pensar no que vestir, talvez valha a pena perguntar: o que eu quero que a minha imagem diga sobre mim?

Este texto inaugura uma série de reflexões sobre imagem, comportamento e identidade, temas que também fazem parte do universo da consultoria de imagem, mais uma das formações dessa moça que vos escreve 🩵

REFERÊNCIAS:

● WILLIS, Janine; TODOROV, Alexander. First Impressions: Making Up Your Mind After a 100-Ms Exposure to a Face. Psychological Science, 2006.

● DAMHORST, Mary Lynn. In Search of a Common Thread: Classification of Information Communicated Through Dress. Clothing and Textiles Research Journal, 1990.

● MEHRABIAN, Albert; WIENER, Morton. Decoding of Inconsistent Communications. Journal of Personality and Social Psychology, 1967.

● MEHRABIAN, Albert; FERRIS, Susan R. Inference of Attitudes from Nonverbal Communication in Two Channels. Journal of Consulting Psychology, 1967.

2 respostas a “Antes da primeira palavra”

  1. Avatar de Claudia andrade
    Claudia andrade

    Amei o texto ! Poste sempre!! Leio sempre que vejo que publicou algo .
    Bjus bjus …

  2. […] o texto *antes da primeira palavra*, uma amiga que leu, compartilhou esse vídeo aqui comigo, como se prevesse que esse era o próximo […]

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