Ou: um pouco sobre a sofisticação de Luís XIV e como descobri que temos algumas coisinhas em comum 🤷🏻♀️
Eu comecei a estudar história da moda e cheguei em Luís XIV, o famoso Rei Sol, que resolveu transformar Versalhes, a cerca de 20 km de Paris, no centro da corte francesa e em um dos maiores símbolos de sofisticação e poder da época.
E o homem gostava de excelência. Não era pouca.
Para que Versalhes tivesse toda aquela imponência, ele escolheu o que havia de melhor em várias áreas: arquitetura, mobiliário, decoração, arte, infraestrutura e, claro, na forma de se vestir.
ME IDENTIFIQUEI MUITO. Acho que sou Luís XIV da nova geração, só que menos abastada e brasileira, meu amor, Brasil. 🇧🇷

E foi justamente estudando essa história que uma coisa me chamou atenção: Luís XIV parecia entender, séculos atrás, algo que entendemos atualmente dentro da consultoria de imagem — a imagem comunica antes mesmo que alguém diga qualquer coisa.
Ele valorizava artesãos extremamente habilidosos e estimulava a criação de trajes cada vez mais elaborados, ornamentados e pomposos. A corte, reunida ao seu redor, observava aquela estética e também passava a reproduzi-la.
Aqui ainda não estamos falando da moda exatamente como entendemos hoje, mas já existia todo um sistema de aparência, comportamento e códigos sociais.
E é nesse contexto que a etiqueta ganha uma importância enorme.
Na corte de Luís XIV, etiqueta estava muito além de saber qual talher usar ou como se portar em determinado ambiente. Existiam códigos rigorosos sobre como se aproximar do rei, quem poderia participar de determinados momentos e como cada pessoa deveria se comportar diante do soberano.
E aqui veio outra identificação: eu também sempre enxerguei etiqueta como uma ferramenta de relacionamento. Uso muito disso para fazer networking — saber chegar, conversar, observar o ambiente, entender determinados códigos e criar conexões.

E aí chegamos à minha informação favorita de toda essa história:
O SALTO VERMELHO.
Pasmem, Vossas Excelências! muito antes de Christian Louboutin transformar a sola vermelha em objeto de desejo, Luís XIV já tinha feito do vermelho nos pés um símbolo de poder. 👠
Os famosos talons rouges tornaram-se uma marca da corte francesa: usar aqueles saltos estava associado ao privilégio de circular naquele universo e à proximidade com o rei.

Ou seja: o homem transformou um sapato em comunicação de imagem séculos antes de a gente usar esse nome para explicar o fenômeno.
Antecipador de moda 🤯 kkkkkk
Daí eu percebi que já usava, inconscientemente, várias dessas estratégias. Sempre gostei de pensar na roupa, na imagem que quero transmitir, na maneira de me comportar em determinados ambientes e até em como tudo isso pode facilitar conexões com outras pessoas. Só nunca tinha parado para pensar que alguns desses mecanismos sociais existem há séculos.
A gente acha que está sendo muito esperto, inventando uma estratégia nova, e aí estuda um pouco de história e descobre que alguém já fazia isso há séculos atrás.
E talvez seja justamente aí que moda, imagem, estilo, história e antropologia se encontrem: nada do que vestimos ou da maneira como nos apresentamos existe completamente isolado da cultura.
Ou, como já dizia um podcast que eu adoro: é tudo culpa da cultura.
No fim, eu só precisei estudar Luís XIV para descobrir que algumas coisas que eu fazia intuitivamente já estavam sendo praticadas em Versalhes anos atrás.
Só me faltou mesmo o palácio.
E o orçamento. Kkkkkkkkk





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